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Tortoise (EUA)


foto: Whitney Bradshaw
A grande maioria dos artistas passam seus anos de formação (quando não suas carreiras inteiras) tentando escapar da força exercida pelos seus predecessores - e todos, aos mestres e obras primas que vieram antes. Algo que o crítico Harold Bloom chamou de "a ansiedade da influência".

Quando alguém pede para explicar como é uma composição ou o som de uma banda, inevitavelmente acabamos não falando sobre a música em si, mas usando uma variedade de metáforas e analogias, como "um pouco de Brian Wilson, um pouco de Pink Floyd e mais um tanto de Kraftwerk".

Raro é o artista que ultrapassa suas primeiras influências e acaba se transformando no formador de opinião e influenciador. Quase sozinho nesse seleto grupo nas últimas duas décadas, o Tortoise resiste e escapa de metáforas e analogias simples e pode ser descrito como uma banda que soa só como ela mesma e mais ninguém. Mais de vinte anos após ter sido formada, o som singular e particular da banda - uma fluida intersecção de dub, dance, jazz, techno, rock e minimalismo clássico, com nenhuma parte sendo maior que o todo - continua sendo um "American Original".

E mais raro ainda é o fato de que eles chegaram a esse som sem quase nenhum tempo de desenvolvimento. Se julgarmos pelos seus primeiros álbuns e singles, a banda parece ter sido criada com sua identidade e DNA musical totalmente formados. E mesmo tendo criado incontáveis imitadores e seguidores, o Tortoise continua único no mundo da música contemporânea por sua incansável curiosidade e incontestável originalidade em síntese de sons que parecem ser completamente opostos.

Existem muitos climas, estilos e formas no catálogo do Tortoise - frequentemente no curso de uma única composição. Coerente do inicio ao fim, entretanto, é o que pode ser chamado de elemento de ação em grupo, ou telapatia grupal, em oposição a um solista virtuoso ou frontman. O cartão de visitas do Tortoise é a experiência de um som ser trabalhado como uma conversação entre o indivíduo e as partes interligadas - de uma banda pensando coletivamente e em dinâmica de grupo através da expressão de um pensamento musical multifacetado.

Este é o sexto álbum de estúdio da banda e o primeiro a quebrar um silêncio de cinco anos desde "It’s All Around You", de 2004. Nesse meio tempo a banda lançou o box set retrospectivo "A Lazarus Taxon" e um registro de covers com o cantor Will Oldham com versões de músicas de gente do calibre de Elton John, Bruce Springsteen, Richard Thompson, Lungfish e The Minutemen, chamado "The Brave and the Bold ". Os membros da banda ainda acharam tempo para tocar em inúmeros outros projetos, entre eles Exploding Star Orchestra, Bumps, Flashlights, A Grape Dope, Spectralina, Powerhouse Sound, Pulsar Quartet, entre outros.


poster: Harmonipan